Gostaria de compartilhar com vocês este texto abaixo que fala sobre glúten e depressão.
Teoricamente estão ligados em algumas pessoas.
A falta de absorção de proteínas e vitaminas podem ocorrer um distúrbios enormes em nosso cérebro.
Eu mesmo lutei durante anos contra uma depressão e depois que retirei o glúten melhorei bastante.
Todos contra o glúten
Por que a proteína
presente naturalmente no trigo é acusada de ser o mais novo inimigo da saúde.
Pão quentinho, pizza crocante, bolo de chocolate.
Esses prazeres corriqueiros são um perigo para a saúde de um grupo de pessoas:
os portadores de doença celíaca, distúrbio genético que prejudica o
funcionamento do intestino delgado e a absorção de nutrientes. Essas pessoas
têm intolerância ao glúten, proteína presente no trigo, no centeio, na aveia,
no malte e na cevada. Caso o celíaco não evite alimentos com a substância,
poderá sofrer desde desconfortos gastrintestinais até doenças graves, como
osteoporose e câncer de intestino. Isso é conhecido pela medicina e pelos
consumidores há muitas décadas. Mas nos últimos meses o glúten vem sendo
acusado de fazer mal a uma parcela muito maior da população.
Nos Estados Unidos, ele tem sido apontado como
deflagrador de problemas em pessoas que nunca tiveram a intolerância à proteína
constatada por exames. Alergias de pele? Dor de estômago? Infertilidade?
Depressão? Culpa do glúten, acreditam muitos americanos. Alguns pacientes dizem
que bastou excluir a proteína da dieta e os problemas desapareceram. Até que
ponto a acusação faz sentido?
Não há como negar o efeito negativo do glúten sobre
os celíacos. Ele contém uma substância tóxica chamada gliadina, que desencadeia
os sintomas em quem já nasce com uma predisposição genética ao distúrbio. No
Brasil, estima-se que uma em cada 600 pessoas seja celíaca. Com deficiência de
nutrientes e baixa imunidade, o organismo pode apresentar problemas como
alergias, infertilidade, ansiedade e até mesmo depressão. A ligação do glúten com
essas doenças faz sentido no caso dos celíacos. Mas muitos dos mecanismos de
ação ainda são desconhecidos pelos médicos. O que não faz sentido para a
maioria dos especialistas é acusar o glúten de ser a causa desses problemas em
pessoas que não são intolerantes a ele.
"É um modismo. Mais uma maluquice sem
comprovação científica", diz a gastrenterologista infantil Vera Lucia
Sdepanian, da Universidade Federal de São Paulo. Segundo ela, a onda de
difamação do glúten é provocada por desinformação. Pessoas que não são
sensíveis à substância mas apresentam doenças que podem acometer os celíacos
encontraram uma explicação precipitada para seus problemas.
Ninguém sabe como esse movimento começou. Uma das
hipóteses, nos Estados Unidos, é que a polêmica teria sido iniciada por
profissionais da medicina alternativa, como quiropráticos e acupunturistas.
"Muitos praticantes de tratamentos alternativos pegam sua bola de cristal
e saem dizendo às pessoas que elas têm intolerância ao glúten", afirmou o
gastrenterologista Don Powell, da Universidade do Texas. Para Hong Jin Pai,
presidente da Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura, afirmações como essa
prejudicam a reputação da medicina oriental. "Jamais aconselharia um
paciente a retirar o glúten da dieta se não fosse comprovada a necessidade
disso. Não trato hipóteses com acupuntura."
A constatação de intolerância ao glúten é feita por
meio de um exame de sangue específico. Depois, é confirmada por biópsia. O
paciente é submetido a uma endoscopia e, com uma pinça, o médico retira
fragmentos do intestino delgado. Se nesses fragmentos forem encontradas
alterações que impeçam a absorção de nutrientes, o glúten deve ser evitado.
Outra explicação para a boataria pode ter sido a apresentação nos Estados
Unidos de estudos parciais que apontavam uma possível alergia temporária ao
glúten. "Mas os trabalhos não são consistentes", diz a
gastrenterologista infantil Maraci Rodrigues, do Hospital Albert Einstein, em
São Paulo. Algumas pessoas têm alergia ao glúten. Ela não é temporária.
Sempre
que a proteína é ingerida, o organismo reage com vermelhidões na pele,
diarréia, vômito. Em casos graves, a respiração pode ser interrompida.
O glúten não é um nutriente essencial para a saúde.
Os consumidores podem muito bem viver sem ele, resistindo a alguns prazeres.
"A pessoa precisa estar disposta a abrir mão de uma cervejinha
gelada", diz o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação
Brasileira de Nutrologia.
A vida sem glúten também é mais cara. Um pacote de
macarrão sem glúten, por exemplo, custa 50% a mais que o produto convencional.
Esse é um mercado em expansão. Nos Estados Unidos, produtos livres de glúten
movimentavam cerca de US$ 200 milhões no começo da década. A estimativa para
2010 é que as vendas alcancem US$ 1,7 bilhão.
No Brasil, as alternativas para quem não pode - ou
não quer - ingerir glúten aumentaram, embora ainda sejam restritas. Um exemplo
é a rede americana de restaurantes Outback Steakhouse. Ela é uma das poucas que
oferecem no cardápio opções de pratos sem glúten. "É uma política
internacional da empresa", diz a gerente de Comunicação, Elen Cunha. Um
dos itens mais procurados é um brownie de chocolate sem farinha. Segundo a
empresa, outros pratos podem ser preparados sem a proteína. Basta o cliente
pedir. Mas não há razão para banir o glúten da dieta - a menos que os exames
tenham comprovado que ele é a raiz dos problemas.
Escrito
por: SUZANE FRUTUOSO
Extraído
da revista época digital no site abaixo.
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